SPFW Inverno 2009 - Sexto Dia

O sexto dia de desfiles do SPFW começou com o desfile dos belos acessórios de Christine Yofun.
Com roupas elaboradas pela dupla Dudu Bertolini e Rita Comparato, as enormes peças da escultura assumiram o ar futurista da temporada, mas sem perder de vista a emoção e a criatividade.
Arquivo X

Gloria Coelho entra em seguida, com sua princesa medieval que foi abduzida por extraterrestres para uma viagem intergaláctica.
Levando na bagagem tafetás, algodão, cetim de seda, organza e veludo de seda, ela volta com mini-vestidos, mantôs, capas, pelerines, shorts, bermudas, calças de montaria e muita gola alta, afinal, nas viagens para outros planetas, as mulheres precisam proteger o pescoço.
São peças futuristas, mas com pegada dos séculos 17,18 e 19, com muita sobriedade e elegância de alguma rainha de algum planeta de ficção.
No meio de tanto neutralidade, eis que surge um rastro de estrela prateada, dando um acabamento em alguns modelos pretos.
É uma coleção bonita e, apesar de não parecer, é uma das mais "limpas" da estilista.
Glams encontram os clubbers
No embalo revival-music que tomou conta de boa parte dos desfiles da temporada, a Amapô trouxe uma divertida trilha-sonora.
Pareciam fitas K7 gravadas de alguma rádio FM dos anos 80, com uma miscelânea de algumas delicias dançantes da época.
Este mix serviu para embalar um desfile colorido e simpático, com pegada Glam dos anos 70 misturado com um o clima de festa clubber dos anos 90.
Blazers com muitos botões, coletes, camisas com fechamento atrás, camisetas com nós (meda), legging com tachas (meda II), jeans baggy e detonados, casaquetos desconstruídos e lapelas invertidas foram as propostas para um guarda-fashion e andrógino.
O resultado é divertido e sem maiores compromissos.
Revisando o futuro
O futuro bateu na porta desta temporada e não tem conversa.
Jefferson Kulig fez um bom trabalho de construções na calças justas e casacos, usando tecidos tecnológicos (interessante observar que o tecido tecnológico tomou lugar nas construções de formas, quando os estilistas pensam no futuro...), mesmo não tendo muita novidade.
A viagem ao futuro de Kulig tem um pé no japonismo dos anos 80.
A coisa funciona enquanto vemos os pretos, cinzas, roxos e pratas. Contudo, quando surge uma veste com excessos de franjas de silicone, que lembra um figurino de vilão de filme de ficção barato, a coisa desanda e o resultado final é desastroso.
Roqueiros
A estilista Camila Cutolo para Maria Garcia se inspirou no cantor inglês Morrissey, fazendo um mix de dândi do final do século 19 com rebeldia roqueira dos anos 50.
Muitos vestidos com volume - mas acinturados -, minissaias e calças secas e curtas usadas com mantôs ajustados surgiram nas cores: branco, cinza, laranja, verde, rosa pálido, chumbo e preto (óbvio!).
Comercial
O desfile masculino de Alexandre Herchcovitch menos conceitual do que de costume.
É uma coleção com pegada navy, mas em nada de literal. Ao contrário, ela soa moderna (vermelho, cinza e pretos), mas sem cair no modernismo exagerado de grande parte das coleções masculinas da temporada paulista.
As calças chegam amplas (algumas com pregas, inclusive) e o terno de feltro vermelho, o conjunto de vinil em xadrez e as peças plastificadas em Poá foram os destaques.
Camp

Com as modelos brincando de desfile de alta-costura dos anos 50, a Neon trouxe um delicioso desfile com peças mais estruturadas e ajustadas, com assumida inspiração no New Look, de Dior.
Batizada de "O Baile", a dupla Dudu Bertolini e Rita Comparado se arrisca no terreno de vestido de festa com um clima camp e fechativo, mas com belas construções.
As estampas estão presentes, claro, mas intermediadas com neutros ou assumidamente coloridos.
Chutando o balde quando se pensa em crise, a dupla acerta ao rir do clima sombrio que se tornou esta temporada, com sua obsessão pelo futuro negro.
Escrito por Jorge Marcelo Oliveira às 15h23
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